A Indústria Mudou Minha Visão

Então, em 1999, surgiu uma oportunidade que mudaria completamente os rumos da minha carreira.

Meu sogro trabalhava na indústria de embalagens de papel ondulado. Naquele ano, a empresa onde ele trabalhava adquiriu uma unidade em Feira de Santana, na Bahia. Como ele era baiano, recebeu a proposta para ser transferido para lá. Pouco tempo depois, ele me fez um convite que eu jamais imaginava receber.

Ele perguntou se eu tinha interesse em trabalhar na indústria e me disse que existia uma vaga para mim. Minha esposa gostou da ideia e me incentivou. Ela acreditava que poderia ser uma grande oportunidade de crescimento profissional. Eu também fiquei interessado, embora bastante preocupado no início. Afinal, toda a minha experiência até aquele momento havia sido voltada para manutenção predial, condomínios e obras. O ambiente industrial era completamente novo para mim.

Fábrica
Pela primeira vez percebi que os desafios poderiam ser muito maiores do que imaginava.

Antes da mudança para a Bahia, tive a oportunidade de conhecer a fábrica de Itajaí. Passei alguns dias observando o funcionamento da operação, entendendo os processos e conhecendo os equipamentos. Foi uma experiência marcante.

Até aquele momento, eu nunca havia trabalhado dentro de uma indústria. Quando entrei na fábrica pela primeira vez, no final de 1999, fiquei impressionado. As máquinas eram enormes, complexas e operavam em uma escala completamente diferente de tudo o que eu tinha visto até então. Eu vinha de uma realidade de obras, prédios e manutenção predial, e de repente estava diante de um ambiente altamente industrializado, cheio de tecnologia, automação e processos contínuos de produção.

"Aquela fábrica apresentava um universo completamente diferente da manutenção predial."

Naquele instante, sem saber, eu estava iniciando uma nova etapa da minha vida profissional. Toda a experiência que havia acumulado desde criança, acompanhando meus pais nos condomínios, aprendendo manutenção na prática, estudando no SENAI e trabalhando como eletricista, estava prestes a ser colocada à prova em um desafio muito maior. E foi justamente essa bagagem que me deu a confiança necessária para aceitar a oportunidade e seguir rumo a Feira de Santana, onde começaria minha trajetória na indústria.

Ao retornar para Santa Catarina no final de 2004, comecei mais uma vez uma nova fase da minha carreira. Depois de ter vivido experiências muito importantes na Bahia, tanto em Feira de Santana quanto na região metropolitana de Salvador, voltei com uma bagagem técnica muito maior do que quando havia saído. Eu já não era mais apenas um profissional da manutenção predial. A experiência na indústria tinha ampliado minha visão sobre processos, máquinas, automação, produção e solução de problemas.

Em Feira de Santana, trabalhei cerca de três anos em uma indústria de embalagens de papelão ondulado. Iniciei minha trajetória trabalhando em turno, realizando manutenção em equipamentos como onduladeiras, impressoras flexográficas e diversos outros maquinários de grande porte. No começo, tudo era muito novo para mim. Eu tinha pouca experiência industrial, mas sempre fui uma pessoa muito dedicada, curiosa e apaixonada por aprender.

Naquela época, o acesso à informação era bem diferente do que é hoje. A internet ainda era limitada e encontrar conteúdo técnico não era simples. Por isso, eu estudava através de catálogos, manuais de máquinas, diagramas elétricos e toda documentação que conseguia encontrar. Sempre gostei muito de leitura e tinha o hábito de tentar entender não apenas como resolver um problema, mas principalmente como o equipamento funcionava. Essa busca constante por conhecimento me ajudou muito a crescer profissionalmente.

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